De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 16 de julho de 2024, no primeiro trimestre de 2024, o preço mediano dos alojamentos familiares em Portugal atingiu 1.644 €/m², apresentando uma variação homóloga de 5,0%, uma desaceleração em comparação com os 7,9% registados no trimestre anterior. Comparado com o mesmo período de 2023, o preço mediano da habitação aumentou em 19 das 26 regiões analisadas, sendo que a região do Baixo Alentejo registou o maior crescimento, de 28,5%.
As regiões com os preços medianos mais elevados foram a Grande Lisboa, Algarve, Região Autónoma da Madeira, Península de Setúbal e Área Metropolitana do Porto. Estas regiões ostentaram os preços mais altos tanto para compradores residentes nacionais quanto para estrangeiros. A participação de compradores estrangeiros no mercado imobiliário continua a ser relevante. Na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, os preços das transações efetuadas por compradores estrangeiros ultrapassaram os das transações por compradores nacionais; o preço das transações de compradores estrangeiros superou 82,3%, enquanto os compradores residentes em território nacional atingiram 47%.
Os preços da habitação variaram significativamente entre compradores com domicílio fiscal nacional e estrangeiro. No 1.º trimestre de 2024, os preços medianos de alojamentos familiares foram os seguintes:
Compradores com domicílio fiscal nacional: 4.065 €/m²
Compradores com domicílio fiscal no estrangeiro: 5.992 €/m²
Preços medianos superiores a 3.000 €/m² em ambas as categorias.
Também apresentou preços medianos superiores a 3.000 €/m² para ambos os tipos de compradores.
Os municípios que apresentaram desaceleração nos preços da habitação foram:
Em geral, houve uma desaceleração nos preços da habitação em dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, enquanto 14 municípios registaram aumentos nos preços. No mesmo período, houve uma desaceleração dos preços da habitação em dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, em comparação com 18 no trimestre anterior. Contrariamente, 14 municípios registaram um aumento na taxa de variação homóloga, com destaque para o Funchal, que aumentou 17,6%. O Porto teve um incremento de 3,6% e Lisboa de 0,5%. Os municípios com os preços mais elevados foram Lisboa (4.190 €/m²), Cascais (3.881 €/m²) e Oeiras (3.281 €/m²).
Além disso, a sub-região Beiras e Serra da Estrela registou a maior diminuição homóloga dos preços da habitação, com uma queda de 7,5%.
A tendência futura do mercado imobiliário português parece estar numa trajetória de crescimento, embora com sinais de desaceleração em alguns municípios, como Loures, que registou uma queda de 5,2% nos preços. A expectativa é que a procura continue a ser forte, especialmente em áreas urbanas e turísticas, mas com uma possível estabilização nos preços à medida que o mercado se ajusta às condições económicas e à oferta disponível.
Em resumo, o mercado imobiliário em Portugal está a consolidar-se, com um aumento contínuo nos preços, mas também com uma necessidade de adaptação às novas dinâmicas de compradores nacionais e estrangeiros. A análise cuidadosa das tendências atuais pode oferecer insights valiosos para investidores e compradores em potencial.
Manuel Roselito Fernandes Nóbrega, licenciado em Gestão, economista e membro da Ordem dos Economistas.